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Reajuste acima da ANS: quando vale trocar e quando vale negociar

Seu plano empresarial subiu muito mais que o esperado? Entenda por que não existe teto da ANS para coletivos e como decidir entre negociar ou migrar.

Helen VianaHelen Viana
05 de junho de 20269 minutos de leitura
Reajuste acima da ANS: quando vale trocar e quando vale negociar

Existe um mal-entendido que custa caro pra empresa: a ideia de que a ANS publica um teto de reajuste e que qualquer aumento acima dele é ilegal. Esse teto existe — mas só para planos individuais e familiares. Para os planos coletivos empresariais, que é o que a maioria das empresas tem, a regra é completamente diferente.

Entender essa diferença é o que separa quem aceita o aumento calado de quem senta pra negociar com argumento na mão.

A ANS regula o reajuste do plano empresarial?

Regula, mas não do jeito que a maioria imagina. Não há um percentual máximo divulgado pela ANS para planos coletivos. O que a agência faz é definir como o reajuste pode ser aplicado, e isso muda conforme o tamanho do contrato.

Para contratos com menos de 30 beneficiários, vale a regra do agrupamento de contratos (Resolução Normativa nº 565/2022). A operadora junta todos os seus contratos pequenos num pool único e aplica o mesmo índice pra todos. Esse percentual é divulgado no site da operadora em maio e vale até abril do ano seguinte.

Para contratos com 30 vidas ou mais, o reajuste é por livre negociação entre a empresa e a operadora. Não tem índice publicado nem teto. Tem proposta — e contraproposta.

Em nenhum dos dois casos a ANS diz "o máximo é X%". O que ela garante é transparência: a operadora tem que mostrar a conta.

COMPARATIVO

Como o reajuste é definido no seu contrato

CritérioMenos de 30 vidas30 vidas ou mais
Quem define o percentualPool de agrupamento da operadora (RN 565/2022)Livre negociação entre empresa e operadora
Índice publicadoSim — no site da operadora, em maio, válido até abrilNão há índice nem teto divulgado
Margem de negociaçãoO número do pool não se negociaProposta e contraproposta a cada aniversário
O que conferirSe o percentual cobrado bate com o índice divulgadoRelatório de sinistralidade que sustente a proposta
Saída quando vem altoMigrar de operadora ou mudar o desenho do contratoNegociar com memória de cálculo e cotação concorrente

Então quanto subiu de verdade nos últimos anos?

Os índices de agrupamento variam de operadora pra operadora, mas dão uma referência útil do tamanho da escalada. Olhando uma operadora de grande porte como amostra, os percentuais aplicados aos contratos pequenos foram, por período de maio a abril:

  • 2023/2024: cerca de 14%
  • 2024/2025: cerca de 16,5%
  • 2025/2026: cerca de 12,9%
  • 2026/2027: cerca de 9,7%

Cada operadora publica o seu próprio número, então não trate esses valores como oficiais pra todas — use como termômetro. Se o seu reajuste de contrato pequeno veio muito acima do que a sua operadora divulgou pro agrupamento naquele ano, é sinal de que algo não bate. E aí você tem o que reclamar.

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Como saber se o reajuste é abusivo

"Abusivo" é uma palavra que a gente usa fácil e prova difícil. Para transformar a indignação em argumento, você precisa de três documentos.

A memória de cálculo. A operadora é obrigada a fornecer, com no mínimo 30 dias de antecedência da aplicação, a memória de cálculo e a metodologia do reajuste. Se o aumento já passou, você pode pedir formalmente e a operadora tem 10 dias pra entregar. Sem esse documento, não dá pra afirmar se o número é justo ou não — e a recusa em fornecer já é, por si só, um problema.

O índice do agrupamento (contratos com menos de 30 vidas). Confira se o percentual cobrado é o mesmo que a operadora publicou no site dela pro grupo. Cobrar mais que o índice divulgado, num contrato que está no agrupamento, é irregular.

O histórico de sinistralidade (contratos de 30+). Aqui o reajuste se justifica pelo uso. Se a operadora alega sinistralidade alta, ela precisa mostrar o relatório. Número grande sem relatório que sustente é proposta inflada esperando que você aceite sem questionar.

Junte os três e você sai do "achei caro" para o "o cálculo não fecha". É outra conversa.

Documentos para contestar o reajuste

Memória de cálculo e metodologia

Pedir formalmente à operadora — ela tem 10 dias para entregar

Índice de agrupamento divulgado

Site da operadora — vale para contratos com menos de 30 vidas

Relatório de sinistralidade

Exigir da operadora em contratos com 30 vidas ou mais

+

Cotação concorrente

Fortalece a negociação ou embasa a decisão de trocar

SulAmérica, Bradesco, Amil: o reajuste muda por operadora?

Muda, e bastante. Cada operadora tem a sua sinistralidade, a sua carteira e o seu índice de agrupamento. Não é incomum ver empresas reclamando do reajuste da SulAmérica num ano e da Amil no outro — não porque uma seja "pior", mas porque o cálculo de cada uma reflete a experiência da própria carteira.

Por isso comparar só o percentual entre operadoras engana. Um reajuste de 10% sobre uma mensalidade que já era alta pode sair mais caro que 15% sobre uma base menor com a mesma cobertura. O que importa é o valor final por vida pra cobertura equivalente, não o percentual isolado.

Negociar ou trocar: o critério de decisão

Depois de ter os documentos em mãos, a decisão se organiza em torno de duas perguntas: o reajuste tem margem de negociação, e a operadora atual ainda vale a pena?

Vale negociar quando: o contrato tem 30+ vidas (onde existe livre negociação de verdade), a rede credenciada atende bem a equipe, e há ajustes de desenho possíveis — coparticipação, acomodação, abrangência — que derrubam o custo sem trocar de operadora. Ter uma cotação concorrente na mão fortalece muito a conversa.

Vale trocar quando: o contrato é pequeno e caiu num índice de agrupamento muito acima do mercado (em contrato agrupado você não negocia o número, então a saída é migrar), a rede já não serve, ou existe proposta de outra operadora com cobertura equivalente e preço bem melhor. Nesses casos, avalie portabilidade de carências — em várias situações dá pra migrar sem cumprir carência de novo, desde que respeitados os requisitos de tempo de permanência e compatibilidade de cobertura.

Um detalhe que pesa: em contrato pequeno, às vezes a jogada não é trocar de operadora, é mudar o desenho ou o porte. Crescer a base de vidas, reorganizar o contrato ou migrar pra um produto diferente da mesma operadora pode resolver mais que sair correndo.

O passo prático antes da data de aniversário

Comece 60 dias antes do aniversário do contrato. Peça a memória de cálculo, levante a sinistralidade, revise a base de vidas e coloque pelo menos uma cotação concorrente na mesa. Com esse material, ou você negocia de igual pra igual, ou troca com segurança.

PASSO A PASSO

Preparação para o aniversário do contrato

1

Peça a memória de cálculo

A operadora deve apresentar a metodologia e a conta do reajuste

2

Levante a sinistralidade

Confira se o uso real da equipe sustenta o percentual proposto

3

Revise a base de vidas e o desenho

Coparticipação, acomodação e abrangência podem derrubar o custo

4

Coloque uma cotação concorrente na mesa

Argumento concreto para negociar ou referência para trocar

Decisão com segurança

Negociar de igual pra igual ou migrar avaliando a portabilidade de carências

Se o número veio fora da curva e você não sabe se o caso é de contestar ou de migrar, o caminho é uma análise do contrato com quem fala com as operadoras todo dia. Veja por que o plano empresarial fica caro e o que revisar antes de renovar, entenda como funciona a troca de plano empresarial e compare as alternativas de plano de saúde empresarial.

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Perguntas frequentes sobre reajuste de plano de saúde empresarial

Existe teto da ANS para o reajuste de plano de saúde empresarial?

Não. O teto de reajuste divulgado pela ANS vale apenas para planos individuais e familiares. Nos coletivos empresariais, a agência define como o reajuste pode ser aplicado, não o percentual máximo. Contratos com menos de 30 vidas seguem o índice de agrupamento da operadora; contratos com 30 vidas ou mais são reajustados por livre negociação entre empresa e operadora.

Como funciona o reajuste de plano empresarial com menos de 30 vidas?

A operadora reúne todos os seus contratos pequenos num pool único e aplica o mesmo índice para todos, conforme a regra do agrupamento de contratos da Resolução Normativa 565/2022 da ANS. Esse percentual é divulgado no site da operadora em maio e vale até abril do ano seguinte. Em contrato agrupado, a empresa não negocia o número aplicado.

Como saber se o reajuste do meu plano empresarial é abusivo?

Reúna três documentos: a memória de cálculo com a metodologia do reajuste, o índice de agrupamento divulgado pela operadora se o contrato tem menos de 30 vidas, e o relatório de sinistralidade se tem 30 vidas ou mais. Comparando o percentual cobrado com esses documentos, você sai do achismo e identifica se o cálculo fecha ou se há cobrança irregular.

A operadora é obrigada a mostrar como calculou o reajuste?

Sim. A operadora deve fornecer a memória de cálculo e a metodologia do reajuste com no mínimo 30 dias de antecedência da aplicação. Se o aumento já foi aplicado, a empresa pode pedir o documento formalmente e a operadora tem 10 dias para entregar. A recusa em fornecer essa informação já é, por si só, uma irregularidade que merece contestação.

O que fazer quando o reajuste do contrato pequeno vem acima do índice divulgado?

Cobrar mais que o índice de agrupamento publicado no site da operadora, num contrato que está no pool, é irregular. Nesse caso a empresa deve contestar formalmente com base no percentual divulgado. Se o índice em si veio muito acima do mercado, o número não se negocia: a saída é migrar de operadora ou mudar o desenho e o porte do contrato.

Vale mais a pena negociar ou trocar de plano após um reajuste alto?

Negociar vale quando o contrato tem 30 vidas ou mais, a rede credenciada atende bem a equipe e há ajustes possíveis de coparticipação, acomodação ou abrangência. Trocar vale quando o contrato pequeno caiu num índice de agrupamento fora do mercado, a rede já não serve ou existe proposta concorrente com cobertura equivalente e preço bem melhor.

É possível trocar de plano empresarial sem cumprir carência de novo?

Em várias situações, sim, por meio da portabilidade de carências. Para isso, é preciso respeitar os requisitos de tempo de permanência no plano atual e de compatibilidade de cobertura entre o plano de origem e o de destino. Antes de migrar por causa de um reajuste alto, vale verificar se o contrato se enquadra nessas condições.

Quando devo começar a me preparar para o reajuste do plano empresarial?

Comece 60 dias antes do aniversário do contrato. Esse prazo permite pedir a memória de cálculo, levantar a sinistralidade da equipe, revisar a base de vidas e colocar pelo menos uma cotação concorrente na mesa. Com esse material em mãos, a empresa negocia de igual para igual com a operadora ou decide a troca com segurança.

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Sobre a autora

Helen Viana - Corretora de Seguros

Helen Viana

Corretora de Seguros | Fundadora da SeguroPontoCom

Especialista em planos de saúde e seguros no Rio de Janeiro, com mais de 15 anos de experiência no mercado. Ajuda pessoas e empresas a encontrarem as melhores soluções em proteção e saúde.

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